Não sou urso, mas a intenção que eu tenho em dias frios, como os que estão fazendo nos últimos dias em São Paulo, é a de sempre hibernar.  É grande a vontade de permanecer na cama. Por só mais um segundinho, que seja. Com aquele cobertor que parece colar na pele. Ah…Naquela cama que se transforma, nestas horas, em o único lugar seguro para a prática do ócio caseiro.

Nestes momentos matutinos e gelados, eu até gosto, quando possível, é claro, de ver uma televisãozinha. Como é bom ver o frio lá fora, transformando as pessoas em seres encapotados de roupas. E há quem diga que este é o período em que elas ficam mais chiques. Mas eu não estou nem aí para isto, e de imediato renego toda esta elegância gelada. Prefiro mesmo é a minha surrada roupa de dormir. Aquela que eu não uso nem para ir à padaria.

Ficar no quente momentâneo da cama, disfarçando, e enganando as horas – se é que isto é possível – é bom demais. E não é que eu não goste do frio, pois eu gosto. Mas eu gosto do frio em casa. Sim, deveriam existir as férias obrigatórias de inverno. Já pensou que bacana seria ficar em casa nesta época. Comendo, dormindo, lendo bastante e assistindo uns filmes. Não tendo que se preocupar com o horário (frio) de entrar na empresa para trabalhar. Seria um incentivo cultural. Tipo uma bolsa cultura companheiro.

Mas nem tudo são cobertores no país tropical. E o que eu vejo agora, enquanto escrevo esta crônica, é que eu tenho que voltar para a realidade, e ir trabalhar imediatamente lá fora. Na fria rua de São Paulo. Afinal, se amanhã estiver frio, eu estarei novamente pensando neste meu conflito pessoal. Do cama e frio, frio e cama!  

SERGIO BORGES

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